sábado, 12 de janeiro de 2013

Cantares de Reis


Ano após ano, com renovada alegria, vivemos na nossa comunidade a festa natalícia de cantar os Reis, como em outros tempos nosso pai vivia. Perde-se nos tempos e faz parte da memória do povo deste lugar, este costume antigo feito por gente humilde que de porta em porta nos vêem saudar. Aos donos das casas e a seus familiares oferecem canções e quadras relacionadas ao nascimento do Menino Jesus, que nasceu em Belém para todos salvar. Com o surgir das novas tecnologias e as posses das famílias com mais dinheiro para gastar, está em desuso por parte das crianças, que décadas atrás eram os primeiros a sair à rua para cantar e dar vivas ao patrão da casa, à família e ao Menino filho de Maria. “Nós aqui vimos cantar os Reis, dar boas festas como todos bem sabeis, como patrão não há igual, viva o Menino lá na noite de Natal.”
Em Fornelos, felizmente a tradição continua a cargo das associações que, actualmente são os mensageiros que percorrem a freguesia de casa em casa a saudar as famílias e a levar a boa nova do nascimento do Menino Jesus. Este ano, a missão de cantar os Reis está a cargo do Grupo Coral de Adultos e do Grupo Coral Juvenil de Fornelos, que trouxeram até nós com amizade e generosidade o canto eterno que nos fala do amor e da luz que conduziu os reis Magos até junto de Jesus. Um bem-haja a todos os que de forma singela dão forma a esta tradição tão pura e sempre bela. Com estas associações, cujas actividades assentam na partilha e solidariedade, devemos ser generosos, e, na medida do possível ajudar, dar o nosso melhor contributo para que possam angariar fundos para poderem fazer face às despesas que têm ao longo do ano.
F.M.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Estrela


Em Dia de Reis,
com a lua no céu a minguar,
abri a janela,
para procurar,
a estrela guia,
que ajudou os magos e pastores,
a Jesus Menino encontrar.

 Mesmo sem a avistar
Lhe pedi
Que brilhasse para mim
No seu reflexo
Me quero iluminar 

 Foto e texto: Filomena Magalhães
 
 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Concertos de Natal


Concertos de Natal pela Orquestra e o Coro Juvenil da Banda de Golães
A Orquestra e o Coro Juvenil da Banda de Golães realizaram, como vem sendo tradição na época natalícia, mais uma série de concertos de Natal. O Coro e a Orquestra Juvenil atuaram, sob a direção artística de Tiago Ferreira, ao longo deste mês de Dezembro na Igreja da Lagoa (Confraria da Srª das Neves) e no Mosteiro de S. Torcato, em Guimarães.
Foi há mais de uma dezena de anos que a Orquestra Juvenil da Banda de Golães se apresentou ao público numa noite fria de inverno, numa festa de Natal organizada pelos professores e alunos numa escola da freguesia de Cepães. Era grande a expectativa de quantos se dirigiram a essa localidade para assistir ao início de mais um projecto que veio a enriquecer ainda mais a nossa já longa tradição musical. Ao regressar para a nossa casa com o espírito natalício a pairar no ar, fomos levados a acreditar no novo projecto musical acabado de criar. Agradecemos aos jovens músicos, aos pais e professores pelo trabalho desenvolvido ao longo de todos estes anos, em prol da cultura da nossa terra, dando o seu contributo para o enriquecendo do nosso patrimônio musical. Muitas felicidades. Ficamos à espera de muitos sucessos.





Filomena Magalhães

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Parabens Senhor Felix


O Senhor Félix que escolheu a o lar Cónego Leite de Araújo para usufruir da boa qualidade dos serviços permanentes que a Instituição lhe oferece completa hoje dia 21 de Dezembro100 anos de vida.

Parabéns Senhor Félix

A Misericordia de Fafe celebrou os 150 anos da sua existência em 2012

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Feliz Natal


 Nessa noite de Natal, a família que à volta da mesa de Consoada se tinha reunido, já algum tempo a seus aposentos se havia recolhido. Só o médico, a quem o sono teimava em não pegar, andava pelos corredores da casa de um lado ao outro a meditar, pensando nos doentes que tinha a seu cargo para tratar, sem ter um hospital, onde os pudesse abrigar. A noite avançava devagar, quando já cansado, parou junto à janela desviando o cortinado para espreitar, a estrela que na noite de Natal leva muitos a olhar o céu na esperança de encontrar. Sentia o ar a sair pelas narinas para logo de seguida na vidraça se projectar, quando aos poucos foi sentindo uma ideia nova a chegar, levando o seu semblante tristonho já desde a hora do jantar, se voltasse novamente a iluminar. A ideia, ao se instalar, correu para junto do coração onde de mansinho começou a sussurrar. “Pede ajuda a teu filho que vive do outro lado do mar, a quem os negócios têm corrido bem e se tem visto prosperar. Ele não te vai dizer que não! Com toda a certeza te irá ajudar!” Sentindo que aquela ideia o estava a animar, foi ao escritório, para anotar, antes que porventura se pudesse extraviar. De seguida deitou-se na cama, deixando-se levar pelo sono que entretanto acabara por chegar. Na manhã seguinte, ao acordar, depois de se arranjar, antes de aos convivas se juntar, meteu a ideia na algibeira, dirigindo-se ao jardim, à luz clara da manhã a queria analisar. Sentado num banco, com o sol por entre as folhas da japoneira a espreitar, ficou largo tempo a imaginar o novo hospital já a laborar, até que, a voz da esposa, da janela se ouviu chamar, a dizer que viesse, o almoço de Natal já estava a esperar. Levantou-se devagar, mas, antes do jardim abandonar, parou por instantes. Ali, naquele lugar, jurou a si mesmo, aquela ideia fortemente abraçar. Em tempo oportuno, a faria a seu filho chegar, que ficaria muito feliz por poder colaborar.
Depois de esse dia passar, o nosso médico pode constatar que a ideia não o andara a enganar, a ajuda depressa começou a chegar, das terras brasileiras de além-mar, e as obras poderiam começar. Entretanto, muita diligência houve a tratar, muito teriam que trabalhar, até ao dia em que no novo hospital se pudessem instalar. Mas, nunca em momento algum, passou pela cabeça à comissão de obras que entretanto se tinha vindo a formar, abandonar o projecto de concluir o hospital, para a população de Fafe ajudar. Dizem, que quando as obras do hospital estavam prestes acabar, vieram todos em grande pompa para o inaugurar. Alguns foram a Lisboa a El-Rei buscar a carta de foral para a obra coroar. Depois, com as instalações a funcionar, com médicos, pessoal auxiliar, foi arregaçar as mangas para cuidar dos velhinhos, dos doentes e das meninas sem lar. Convidaram a confraria da Senhora da Misericórdia, para administrar. Com novas condições para trabalhar, mais facilmente poderiam praticar as catorze Obras de Misericórdia que Jesus Cristo na sua passagem pelo mundo tinha andado a ensinar.

Em tempo de celebrar, foi esta a história de amor que trouxe para contar.
FELIZ NATAL
Foto e texto filomena magalhães

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Na Festa das Luzes


Costumava lá voltar, simplesmente para espreitar a pequena pastora ao longe no tempo, atrás do pequeno rebanho que tinha a seu cargo para guardar. Nesse dia em que a chuva tinha caído todo o dia sem parar, chegou a casa toda molhada com um frio de rachar, trazendo no coração o mesmo sentimento de sempre, de que tanto a pastora quanto ela não precisavam de muito para se alegrar. Acabava de se trocar, quando sentiu que alguém da sua humilde casa se estava aproximar. Não abriu logo a porta receando que pudesse ser o lobo que durante a noite se ouvira na floresta a uivar. Resolveu primeiro espreitar. Ao limpar a janela onde o fumo da lareira se tinha vindo acumular, reparou que um viajante que pela galáxia andava a passear, envolto na neblina já se começava a afastar. Correu para a porta com quantas forças podia a gritar. Hei viajante, chega aqui por um instante, preciso de saber notícias do mundo distante. O seu chamado não serviu para nada, o que obteve foi o silêncio daquele dia cinzento em que tudo se tinha resguardado com medo da trovoada. Já se preparava para entrar quando reparou em algo ao fundo das escadas que lhe prendeu o olhar. Com o espírito que gostava de surpresas contente a cantar, desceu os degraus para verificar o pequeno embrulho que se encontrava junto ao cancelo reluzente a brilhar. Àquela hora, naquele lugar, só mesmo o viajante o poderia ter deixado lá ficar! Quando o papel do embrulho estava a retirar, qual não foi o seu espanto ao verificar que se tratava da pequena caixa de música que estava agora com as mãos a segurar. Nessa noite antes de se deitar,ficou perto da janela, a  ver a lua por detrás das nuvens a espreitar. Com os olhos fitos na boneca dentro da caixa a rodopiar, deu corda as vezes precisas para ouvir a doce melodia até a alma se fartar. Depois adormeceu e sonhou com o viajante, cujo rosto não conseguia decifrar só se percebia de homem se tratar. Assim dormiu naquele pesar, até chegar a manhã com raios de sol a iluminar, onde tudo ficou claro e o pesadelo não mais a pode incomodar. Entretanto o viajante que entre o céu e a terra em algum lugar deveria andar, do comportamento estranho que tivera, nunca se iria livrar. Com a festa das luzes a se aproximar, os pinheirinhos por todo lado com suas luzinhas multicolores a piscar, ainda antes de Jesus Menino nascer, iria pedir ao Pai Natal para lhe dizer que não deveria voltar, não o queria mais ver. Não sabia bem porquê, mas nas últimas horas algo lhe estava a dizer, dos perigos que corria com os caminhos alagados pela invernia, neste bosque onde o sol raramente se via.
Foto e texto Filomena Magalhães