domingo, 5 de agosto de 2012

Árvore do Outono

 Nesse dia de outono em que as aves migratórias haviam partido, a bicharada invernado, as folhas das árvores caído, o homem da harmónica de boca desde o final da tarde emitia um timbre sonoro belo e divertido. A sua habilidade natural permitia-lhe improvisar de acordo com a sensibilidade e a estação que estivesse atravessar. Nesse dia o som da música que estava a tocar reportava à terra, ao outono e às chuvas que estavam prestes a chegar. Produzia uma estranha sinfonia que à medida que ele se afastava como um rastro de fumo se esmorecia. Com a sensação de aconchego no coração a se instalar, os olhos de quem o escutava vinham à porta espreitar. Esse domingo durara, as horas correram muito devagar. Finalmente, as areias do caminho, de dia ao sol a cintilar, deram lugar às estrelas no céu a brilhar. Os poucos habitantes daquele lugar, aperceberam-se, desde o anoitecer, circular, uma energia diferente no ar.
Antes de se deitar, na soleira ao luar, sentado a cismar, com a humanidade cada vez mais longe da verdade, o homem da harmónica ouvia a banda de música ao longe a tocar. Os músicos, já cansados davam os últimos acordes na noitada da festa da Senhora do Pilar.
 Enquanto tudo isto acontecia, a filha da Luzia, dentro da carvalha oca, amava e sorria. Do moço que descia a colina e só ela conhecia, apenas as costas do casaco se via. Nesse mesmo instante, na casa de pedra, da figueira grande, o relógio biológico tocava sem parar, era tempo de nascer, sair da cuba da mãe vir respirar outro ar. Os animais que por lá moravam, alguns roedores que se embrenhavam, mesmo o galo que na alvorada deveria cantar. Poder-se-ia jurar, estavam todos tristes, com vontade de chorar.
Com sangue por todo o lado, não houve volta a dar, nasceram os pés primeiro, já estava pronta a andar. Não fosse o anjo da guarda estar ao lado e a micas parteira ajudado, bem teria definhado. De tanto estrebuchar, o pequeno órgão pulsante ficou fendido, difícil de afinar. Depois do susto passar o médico assistente tiveram que chamar. Só ele poderia dizer o que se iria passar. O veredicto foi dito. Poderia trabalhar, estudar, andar, até cantar.” Enquanto viver, deverá comer legumes para se fortalecer. Ao se distrair, o vírus poderá atacar e o relógio parar.”
Vivia atormentada sem saber o que fazer, comer tanta fava e ervilha transtornava-lhe o viver. Só biju ou pão de ovelhinha gostava de tragar, o de milho ficava na boca numa bola de brincar. A mãe, embirrou com isso. Para a assustar e melhor a dominar levou-a a ver a criança, que ia a enterrar. Se tivesse morrido, pensava num gemido, não a teriam aborrecido, nem o seu orgulho teria sido ferido.
As árvores, em tom exaltado, gritaram por todo o lado, disseram que não. Isso não era nada. Iriam transforma-la numa fada. Seria feliz para sempre com um novo coração.
F. M.

domingo, 29 de julho de 2012

Monte Longo

Devo dizer, que conheço bastante mal o Sr. Monte Longo. As poucas vezes que o vi, quase sempre estava de costas ou perfil. Poucos o conhecem, devido a ser um individuo versátil e inconstante com forte personalidade. Quem o conhece de perto e tem por ele afeição costuma dizer que os seus hábitos mudam conforme a disposição. Alguma coragem, ousadia e bondade, fazem dele um ser único e muito amado. Convívios, tertúlias, longas ausências fazem parte da sua forma de estar. Gosta do campo onde cresceu e se sente muito à vontade, mas, considera-se fafense de corpo e alma e um homem da cidade. Uma das vezes que o avistei o Sr. Monte Longo descia a arcada ligeiro cumprimentando os transeuntes,  num gesto muito apressado. Outra vez um feirante indicou-me a sua presença na feira junto ao mercado. Nesse dia, junto do vendedor de loteria estava um pouco descuidado os suspensórios puxavam as calças para cima, o boné já desbotado dava-lhe um puro charme de homem desajeitado.
“Aquele ali, é o Sr. Monte Longo, um romântico inveterado, poeta, trovador, conquistador” Dizia o vendedor.
” As injustiças deixam-no triste e desolado. Fica com ar indefeso de menino agitado. Conhece festas e guerras por onde tem viajado. É grande amante das artes, com muitos conhecimentos poucos  conseguem iguala-lo. As feiras e romarias da nossa terra não lhe são indiferentes. Ele ama-os de mais, fica de lado a escuta-los, a ouvir as modas todas com os olhos embaçados. Mesmo sendo generoso e cordial com todos, há quem diga que por vezes se torna um não sei quê de insolente com a alma revoltada e a crítica afiada. Passa de amoroso a prepotente com tamanha rapidez que surpreende os seus convivas mesmo os mais inteligentes.”
 Da última vez que avistei, o Sr. Monte Longo notei-lhe uma certa dualidade. O cabelo ao vento dava-lhe um ar de candura de cupido emancipado. Visto assim daquele lugar, mostrava algum cansaço de tanto sonhar e lutar. Trazia nos olhos as marcas de ter atravessado desertos secos e escarpados, na esperança de alcançar a luz verde dos oásis.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Misericórdia de Fafe 150 anos ao Serviço dos Fafenses


7 de Maio, dia chuvoso. A primavera tarda em chegar. Apesar do dia cinzento, o coração iluminou-se  com as mais lindas paletas do arco-íris, ao ouvir a lindíssima poetisa brasileira Cármen Cardin num agradável sarau de poesia na sala polivalente do Lar Cónego Leite de Araújo na cidade de Fafe.






terça-feira, 1 de maio de 2012

Dia do Trabalhador

O trabalho é sagrado.
Quando o trabalhador
 Desempenha com amor
Ele traz-lhe liberdade

Quer se trate de limpezas, cozinhados ou contabilidade, o nosso trabalho deve ter como finalidade  o nosso benefício e o dos outros.
Grande parte daquilo que fazemos todos os dias faz parte do serviço e do auxilio que prestamos aos outros, quer se trate de clientes ou familiares. No entanto cabe a nós decidir o grau de amor que colocamos ao serviço do trabalho que desempenhamos no quotidiano.

"Não procurem acções espectaculares.
O importante é darem-se a vós próprios.
É o grau de amores que aplicam nas vossas acções"
Madre Teresa

Quando me esqueço de quem sou, sirvo-te.
Ao servir-te, lembro-me de quem sou
e sei que sou tu.


"Façam tudo pela gloria de Deus"
S. Paulo